Filipa

active 1 year, 2 months ago

Forum Topics Started

A Europa está rodeada de crises e passou a ser ela própria a crise – produtora de crises – com contradições insanáveis e clivagens na geografia dos povos, que conduz à desconfiança e rejeição do projecto de unidade europeia. E com as elites europeias burocratas sem pensamento político e sem visão de conjunto sobre o futuro, com os “interesses comuns” deslaçados ou inexistentes, não é possível evitar a sua fragmentação. É um desafio à sua relevância e à segurança. Como refere o Presidente da República, a “UE tem de agir para antecipar crises”. Os líderes autistas das instituições europeias não sabem lidar com as incertezas do mundo de hoje e deviam saber encarar as Forças Armadas (FA) como importante instrumento da segurança nacional e de uma política externa com dimensão, numa fase em que a Aliança Atlântica está em causa. Só assim é possível responder às complexas ameaças, que ultrapassam as fronteiras geográficas. A renovação da arquitectura de defesa da UE constitui uma prioridade, sem condicionar a soberania da intervenção autónoma dos Estados-membros, e tendo presente que a Defesa Nacional não é um milagre! Uma das soluções para que a UE possa contribuir para a produção de segurança global é passar a ser um actor credível na ordem internacional, principalmente pelo apoio à construção de alianças regionais e globais mais consistentes – dando prioridade à parceria estratégica com África. Por outro lado, tem de promover o investimento em instituições internacionais de forma a transformar-se numa UE com maior nível de integração, melhor coesão política dos Estados-membros e uma verdadeira política de segurança e defesa, que não passa pela criação de um Exército europeu, mas sim complementar da Aliança Atlântica. A democracia reclama um modelo de sociedade assente na vocação cívica e escolhas de cidadania mais lúcidas. É essa que justifica, para os cidadãos, os direitos e os deveres de participação democrática. A cidadania tem que incutir estas responsabilidades, ou seja, o sentimento de comunidade que fundamenta direitos e deveres recíprocos e não o inverso. A construção europeia só pode ter futuro se as decisões europeias forem aceites como legítimas pelos povos. Aquelas decisões requerem melhores políticas públicas, esforço de negociação e compromissos, porque partem duma grande diversidade de interesses. E, por isso, têm de ser percepcionados como vantajosos pelos Estados-membros envolvidos. São necessários verdadeiros europeístas e estadistas convictos. Enfrentamos hoje um momento crítico. Temos de decidir o caminho a escolher. As divisões políticas internas persistem intactas, a recuperação económica parece demasiado frágil e os extremismos populistas antieuropeus crescem por toda a parte. Para inverter a dinâmica de fragmentação regional, os responsáveis políticos portugueses e europeus precisam de reinventar a aliança entre a democracia liberal, a inovação económica e a integração regional. O Ocidente está em decadência mas o declínio da UE não é inevitável. Penso que a alteração e progresso da Europa passará pela regulação do poder financeiro, para que a banca e algumas elites à escala nacional e europeia não inviabilizem o futuro dos estados comunitários. Não é de todo justo os países do sul serem sujeitos à criação de desafios constantes para países mais desenvolvidos financiarem soluções criando assim relações de interdependência que não potencializam verdadeiramente a politica de coesão com a ideia de unidade na diversidade sendo esta a verdadeira premissa que fundamentou o projecto europeu.

1 year, 2 months ago in FOR A UNITED SOCIAL EUROPE
0
0
0
Profile photo of Filipa Filipa
Copyright ©2017 Socialists & Democrats | All Rights Reserved